14.12.22

NÃO CHORA, MENINA

NÃO CHORA, MENINA

"De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás"  Poema - Cazuza

Eu não acompanhei a gênese, o nascimento, as primeiras palavras e não presenciei a alegria dos primeiros passos, mas tive, por graça de Deus e dos colegas, acompanhar por dezessete anos a sua vida, a sua história.

O início, como todo início, vimos as incertezas, as indefinições (várias) e também o crescimento e os passos firmes construindo um caminho. E nesta caminhada alguns diziam não, tome outro rumo, porém, muitos outros diziam vai menina, segue e biblicamente ouvia-se não tenhas medo. 

E o caminho se fez caminhando. Vieram alguns e esses alguns chamaram outros e se tornaram muitos, de vários lugares, de vários pensamentos e experiências. Surgiu a caderno de formação sobre as eleições, a participação na 10ª Romaria do Trabalhador e Trabalhadora organizada pela Diocese de Caxias do Sul em 2005, cartilha sobre a Transposição do Rio São Francisco, cartilha sobre a Caritas in Veritat, os gibis do Leo e Tina, a Acredisol, o simpósio sobre Educação e a Feira de Economia Solidária, a participação nas Semanas Sociais, o livreto de quinze anos, a participação no CEFEP. Muitos por estarem juntos a esta menina, sentiram-se fortalecidos a fazerem novas caminhadas nas pastorais, sindicatos, associações, cooperativas, legislativo e até executivo. São povo da Igreja no mundo. Muitos até hoje reconhecem o esforço e a importância desta menina nas suas vidas.

A menina fez quinze, dezesseis ... e prestes a chegar aos dezenove anos a caminhada é interrompida. Sim a Escola de Formação Fé, Política e Trabalho da Diocese de Caxias do Sul é forçada a parar num momento da vida do país que entendemos que ela deveria ser fundamental, modéstia à parte. Como Jesus neste momento deveríamos fazer as perguntas do caminho que nos desafiariam e juntos buscaríamos algumas respostas a partir da certeza de que os saberes diferentes fortalecem a caminhada, iluminam nossas mentes. "Dialogar com o mundo moderno é o desafio que temos à frente e não nos fecharmos. É preciso sair dos limites conhecidos, de nossas seguranças, para adentrar-nos no terreno do incerto; sair dos espaços onde nos sentimos fortes para arriscar-nos a transitar por lugares onde somos frágeis; sair do inquestionável para enfrentarmos o novo...". (Adroaldo Palaoro). A partir de nossa condição de discípulos e missionários, queremos estimular o evangelho da vida e da solidariedade em nossos planos pastorais, à luz da Doutrina Social da Igreja. Além disso, promover caminhos eclesiais mais efetivos, com a preparação e compromisso dos leigos para intervir nos assuntos sociais (Documento de Aparecida 400).

E o Papa Francisco falando sobre o pacto educativo global nos alerta. "Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna. "

Os motivos desta parada forçada ainda não temos certeza, mas esperamos que as autoridades eclesiais assim o façam, às claras (Mt 10,27) para toda a comunidade e que não façamos a escolha de sermos generais de exércitos derrotados (Evangelli Gaudium 96) onde o real cede lugar à aparência (Evangelli Gaudium 62). 

Mais uma vez cito o Papa Francisco, desta vez na Jornada Mundial da Juventude no Panamá: "Somente o que é amado pode ser salvo. Somente o que se abraça pode ser transformado".

Nas comemorações de dez e quinze anos fiz vários agradecimentos, citei várias instituições, pessoas, mas desta vez, perdoem amigos e amigas, citarei apenas uma pessoa. Ele que percebendo os sinais do tempo apoiou, incentivou, esteve presente sempre que pode e nos alegrava com a fala e esperança. A Dom Paulo Moretto meu carinho e agradecimento.

José Antonio Somensi (Zeca)

(Aluno da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho desde 2005)

Humanizar nossa prioridade

Humanizar nossa prioridade 

Gilnei Antônio Fronza, padre e membro da equipe de coordenação do Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos - CEPDH

Pioneiro, 12/12/2022.